Fui eu quem plantou aquelas palavras entre as frases que ele costumava falar. Ele mesmo nunca me prometeu um jardim de rosas. No entanto, casei-me. Me achava moderna e nem tinha buquê. Muito menos roupa branca. Ou coroa de flores. Mas as rosas sempre ali. Como dívidas. Que nem mentira que se conta tanto que vira verdade. Eu lhe prometo um jardim de rosas. Parece até que era o timbre da voz dele ressoando em cada palavra dessa frase. Promessa quem nem combinava. Ausente em cada quilate da aliança comprada à prestação. Ele engordou, o dedo cada vez mais apertado naquele ouro vermelho. Vermelhas, as rosas. E a minha face rubra, a respiração presa querendo deter o momento e o frio na barriga de quem está só e com medo. Daquele ponto final no dia em que eu pude ver a marca que o aro havia feito no dedo anular. Ele nunca me prometeu um jardim de rosas. Nossa grama havia vingado no mês chuvoso em que ele bateu o portão. A trepadeira floriu. Finalmente e fora de época.
Saí sozinha e a pé. Precisava de botões e sementes. E sabia exatamente onde plantar.
Saí sozinha e a pé. Precisava de botões e sementes. E sabia exatamente onde plantar.





